Ciro Gomes e a sequência na vida das classes médias brasileiras

Ciro Gomes tem debatido um novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, expressão bastante utilizada por ele para se referir a um conjunto de propostas articuladas que um governo precisa implantar se quisermos ver uma melhora que não seja apenas passageira no país.

Segundo ele, as propostas envolvem diferentes áreas (saúde, educação, economia, trabalho etc), com metas, prazos e um objetivo geral: o desenvolvimento humano. Como esse “desenvolvimento nacional” pode se concretizar na vida cotidiana e nas oportunidades dos brasileiros?

Os trabalhadores emergentes (que querem ver a continuidade da melhora de vida atingida nos últimos anos) e as classes médias brasileiras (que pretendem ter mais oportunidades de crescimento e participação no país) podem ficar atentos ao menos a 6 ideias debatidas por Ciro:

  1. é a favor de rever a enorme quantia do orçamento que é gasta em uma despesa só;
  2. projeta há tempos como reinvestir nas indústrias (pequenas, grandes ou complexas) e criar empregos;
  3. defende um intenso “investimento em gente”;
  4. não quer ser “guru de costumes”;
  5. compreende o problema da segurança com inteligência e sem ódio;
  6. incentiva uma maior participação da população nas decisões políticas.

– É a favor de rever a enorme quantia do orçamento que é gasta em uma despesa só:

A maior parte do orçamento do país (cerca de 51% do total) não está sendo usada para investir no próprio país e no povo; está sendo usada para pagar despesas de uma dívida que não se sabe ao certo quanto é hoje em dia. Mais suspeito ainda, os grandes credores dessa dívida (entre outros vários)  são bancos e fundos de investimento, muitos deles estrangeiros.

Ciro Gomes propõe rever esse gasto e ter clareza dele. E por que isso é importante? Porque com o dinheiro mais bem distribuído entre as diversas despesas, poderiam ocorrer investimentos consideravelmente maiores nas áreas necessárias: educação, saúde, saneamento, transporte, tecnologia etc. Rever o orçamento tem que ser feito para todas as despesas e, claro, inclusive no caso dessa nossa maior despesa atualmente, os gastos escandalosos com a dívida pública brasileira.

– Projeta há tempos como reinvestir nas indústrias (pequenas, grandes, complexas):

 São poucos os políticos que têm debatido a reindustrialização e, além de identificar isso como necessidade, é preciso dizer por onde começaríamos a mudar, em quais setores poderíamos voltar a criar mais empregos. Para Ciro, o caminho para voltar a investir nas indústrias deve levar em conta principalmente os setores em que já temos protagonismo, maior potencial e mais necessidade de desenvolver.

Ele vai além e cita inclusive quais seriam esses setores, que poderiam formar diferentes complexos industriais: petróleo/gás/bioenergia, agroindústria e construção civil (nos quais temos um protagonismo natural que pode ser aproveitado); defesa e inteligência (pois essas áreas trazem um potencial de inovar e de criar novas tecnologias no país); saúde (para transformarmos a necessidade de fabricação de remédios e de tratamentos em um investimento nacional, de produção, formação e empregos aqui).

Nos últimos anos, o consumo crescia e foi democratizado, com mais pessoas comprando e querendo investir, mas precisamos agora democratizar a oferta, isto é, criar condições reais para os brasileiros produzirem, inovarem, chances para criar e aplicar novas soluções – seja em pequenas empresas ou em grandes indústrias. Para Ciro, precisamos incentivar também que sejam produzidos no Brasil produtos e insumos que hoje em dia compramos do exterior.

– Defende um intenso “investimento em gente”:

Valorizar a população e investir em gente passa principalmente por: saúde digna e por educação forte. Sobre educação, Ciro defende que é preciso aumentar o investimento do orçamento do país nessa área e no trabalho dos profissionais da educação, reconciliando a gestão das escolas dos estados e municípios com padrões nacionais.

Segundo Ciro, é preciso melhorar também a maneira de aprender e ensinar: o ensino pode priorizar as capacitações de análise e de síntese em vez de dominar ou decorar informações. As aulas buscariam desenvolver essas capacidades nas diferentes disciplinas de modo aprofundado, com alunos trabalhando em equipe, coletivamente, sem autoritarismo nem individualismo.

Em relação à Saúde Pública, Ciro defende que o país passe a contar com um “complexo industrial da saúde” pois, se produzirmos em nosso próprio país equipamentos e medicamentos necessários, estaremos barateando os custos das despesas do SUS e, ao mesmo tempo, criando empregos e incentivando pesquisas e mão-de-obra nos serviços de saúde que sejam mais numerosas e qualificadas para lidar com a população.

– Não quer ser “guru de costumes”:

O papel do governo federal e de um(a) presidente(a) é muito importante, mas não resolve todas as questões do país. Para Ciro Gomes, em certos assuntos, quem ocupa o cargo da presidência faz mais bem em estruturar e mediar um debate amplo entre a sociedade, prezando pela garantia dos direitos e das leis, do que em apresentar um ponto de vista próprio e individual como sendo proposta de governo.

Sobre assuntos que envolvam decisões e liberdades individuais, como aborto, legalização das drogas, por exemplo, Ciro não pretende ser “guru de costumes”, transformando seu próprio ponto de vista como medida imediata a ser implantada.

Para ele, nesses casos o papel do(a) presidente(a) passa por convocar um debate com os setores da sociedade envolvidos nessas questões. Seria uma forma mais razoável de agir sobre isso, sem polemizar e respeitando as funções e limites do papel do executivo federal.

– Compreende a segurança nacional do jeito, sem ódio:

Ciro tem estudado a questão da segurança e como reduzir a violência, pois isso tem sido uma preocupação e um pedido do povo brasileiro a seus governantes. A resposta de Ciro para isso, diferentemente de outros políticos, não envolve frases feitas (do tipo “bandido bom é bandido morto”), nem ódio e mais violência ou armamento, já que isso só agravaria o problema.

Para ele, a redução da violência pode ocorrer se combatermos a desigualdade, ou seja, se a população deixar de ser empurrada para o crime como alternativa sedutora e enganosa de conseguir renda e ocupação.

E mais segurança depende de investigações que ajam com inteligência, ou seja, com instrumentos e métodos que permitam encontrar criminosos, colher provas e punir os responsáveis, sem vitimar inocentes em confrontos violentos. Ao contrário de propor mais ódio e mais violência como forma de lidar com isso, Ciro julga necessário haver mais estratégia, mais inteligência e o combate à desigualdade.

– Defende maior participação da população nas decisões políticas:

Cada brasileiro quer fazer com que sua voz seja ouvida e, além de ouvir seus representantes eleitos, há mecanismos para que pessoalmente a população opine e ajude a decidir: os referendos e os plebiscitos. Segundo Ciro, quem ocupe o cargo da presidência da República deve manter uma ligação mais direta e estreita com a população, comunicar-se com ela, chamá-la para participar e acompanhar os debates sobre o país e mais que isso.

Quando houver impasses reais, sobre questões delicadas ou não resolvidas entre os representantes eleitos com um bom consenso, o Brasil deve ouvir os brasileiros. Para Ciro, ainda são pouco utilizados os referendos e plebiscitos no Brasil, no entanto todos poderiam ser beneficiados se acreditássemos na inteligência do povo e se as autoridades chamassem o povo a decidir mais vezes. Essa preocupação de Ciro está em sintonia com as demandas dos brasileiros, que procuram caminhos para participar mais das decisões políticas, para fiscalizar o Estado etc.

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O que Ciro tem debatido significa mexer nos fatores para estabilizar as mudanças positivas das pessoas emergentes e corrigir descaminhos que até hoje não foram corrigidos e que impedem a classe média de continuar melhorando. Como é importante simplificar e depois detalhar, escolhemos aqui esses 6 pontos centrais que mostram como a sequência na vida e no trabalho das classes médias brasileiras passam pelas ideias que Ciro Gomes tem debatido.

E para as demais classes trabalhadoras?

Ciro anunciou já no lançamento oficial de sua pré-candidatura que as ideias que serão apresentadas ao país têm como objetivo também combater a desigualdade, incluindo a população mais pobre no mundo do trabalho, da escolarização e também da produção.

A estabilidade das conquistas das classes emergentes nos últimos anos passaria, agora, pela instauração de uma mudança econômica e produtiva mais forte. É isso o que os trabalhadores, novos empreendedores, pequenos empresários e as classes médias já identificavam em seu interior como uma necessidade. No entanto, sabendo disso, muitos grupos tentarão gerar o caos para fazer turvar um caminho que antes de 2016 parecia mais tranquilo.
 

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