You are currently viewing Violência política terá resposta nas urnas
Ciro Gomes se reúne com Roberto Freire, presidente do Cidadania, e Simone Tebet, pré-candidata do MDB à Presidência da República, em ato do 2 de julho na Bahia. Foto: Simone Tebet / Flickr

Violência política terá resposta nas urnas

  • Post author:
  • Reading time:5 min de Leitura

Em outubro, o Brasil decidirá se caminha para um cenário favorável ao acirramento da violência política ou se encontra um difícil caminho de pacificação diante de um contexto internacional inédito e uma herança maldita dos governos que comandaram o país até aqui.

Com os últimos acontecimentos relacionados ao assassinato de um militante petista pelas mãos de um fanático bolsonarista em Foz do Iguaçu, o sinal de alerta para mais episódios de violência política foi acionado, levando muitos a se posicionarem sobre o crime.

Contudo, a resposta a esse fenômeno não poderia partir de líderes coniventes com a instrumentalização da violência enquanto linguagem política, um que celebra episódio de violência que resultou em uma das partes com sequelas e outro que incita abertamente a violência como ferramenta para lidar com opositores.

Violência política exige resposta à altura

A melhor forma de preservar o processo eleitoral de escaladas ainda mais violentas é com um rotundo “NÃO” à polarização que segue jogando brasileiros contra brasileiros.

As candidaturas dos dois homens que já ocuparam a Presidência da República nas eleições de 2022 devem ser objeto de estudo por anos.

Enquanto incitam que pessoas comuns entrem em conflitos de toda natureza, tentam reescrever histórias de mensalões, rachadinhas e afins, interpretando de maneira conivente ao interesse particular a história nacional.

É óbvio que as pessoas que se sentirem enganadas farão apenas aumentar a distância entre pessoas comuns e a política.

A candidatura de Ciro Gomes, por outro lado, sinaliza a setores do eleitorado que não estão conformados com o que já foi testado e deu errado.

Não tendo contradições imensas para responder, o Projeto Nacional de Desenvolvimento desempenha o papel de dar ao Brasil algo concreto sobre o quê discutir, fora das abstrações que o fantasma da ameaça golpista impõem a setores da população que deveriam estar mais preocupados em saber como será o dia seguinte à eleição.

Seremos um Brasil pacificado caso seja eleito um dos dois presidentes que já deram suas contribuições para construir o Brasil que temos hoje? Ou um lado permanentemente servirá de espantalho para incitar o outro?

Mudar o ambiente do debate

A tarefa primordial do PND está posta – transformar as eleições em um plebiscito sobre o futuro do Brasil.

Sinalizar para uma novidade, algo que ainda não foi testado e que permita aos brasileiros sonharem com o amanhã ao invés de temerem um futuro ainda pior do que esteja por vir.

“Eu sou ruim, mas o outro é muito pior” não pode ser a mensagem transmitida por uma liderança que queira apresentar ao país uma resposta à maior crise já vivida nacionalmente.

Se o processo eleitoral servir para dar às pessoas respostas compreensíveis aos problemas materiais do Brasil (na forma de uma reforma tributária mais justa, por exemplo), sendo estes problemas compartilhados com as pessoas preocupadas com o país, estaremos atuando para desarmar a bomba que querem que exploda a nação.

É necessário dar uma resposta a todos aqueles que lideraram o país para chegarmos ao Brasil que temos hoje, e a resposta naturalmente não vem de nenhum deles, que já deixam de se diferenciar até pelos compromissos assumidos com a banca.

Seria melhor, afinal de contas, que o povo brasileiro estivesse sendo estimulado a se preocupar com as razões que o trouxeram a situação em que se encontra. Quais decisões levaram a economia brasileira aonde ela está? Quem está se dispondo abertamente a reverter isto, sem qualquer vestígio de comprometimento com a agendas hostis ao futuro do Brasil?

O antídoto para a violência política é mudar o ambiente do debate. Por bem ou por mal, não é possível apostar em respostas já testadas para encerrar a atmosfera política-social vigente no Brasil hoje.

Hoje, os dois que já ocuparam ou ocupam a Presidência da República infelizmente não estão em condições morais de combater e evitar novos episódios de violência política, já que suas presenças por si só no embate eleitoral acirra os ânimos.

Violência política em nome de quê?

Não bastasse a decadência de se recorrer à violência, precisamos nos perguntar: por quê?

Em nome de duas figuras que deixaram qual legado ao Brasil? Que mensagem transmitiram à nação brasileira? Que exemplos deram (e dão) aos brasileiros e brasileiras?

Certamente, respondidos estes questionamentos, veremos que no fundo do poço de um país que recorre à violência como ferramenta há um alçapão. E, lá no fundo, irmãos e irmãs brasileiras são postos em pé de guerra por pessoas que praticaram e seguem apostando no mesmo modelo econômico e no mesmo modelo de governança política.

Basta de violência política no Brasil! E, principalmente, basta de discussões estéticas. Assim, quem sabe, lograremos sucesso na tarefa de emancipar o povo brasileiro da miséria. Pois brasileiro algum deveria apontar a arma a outro, quem dirá em nome de oportunistas e demagogos.