Ciro em Lisboa: Michel Temer é velho corrupto que deveria estar preso há décadas

No dia 26 de março, o terceiro colocado nas eleições presidenciais de 2018, Ciro Gomes (PDT-CE), esteve em Lisboa, Portugal, para uma aula-palestra na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. O Presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) e seus movimentos políticos foram os principais temas de discussão da entrevista concedida por Ciro antes da palestra.

A aula-palestra foi organizada pelo NELB (Núcleo de Estudo Luso Brasileiro da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa) por meio da sua Presidente Elizabeth Lima (advogada e mestranda em Portugal na FDUL).

Perguntado sobre a prisão do ex-presidente Michel Temer (PMDB-SP) e uma eventual manobra política da Operação Lava Jato, Ciro disse que Temer é “velho corrupto” que deveria estar preso há muito mais tempo, mas que o despacho do juiz Marcelo Bretas violou a lei.

O “velho corrupto que deveria estar preso há décadas” e os limites da lei

REPÓRTER: Minha pergunta vai num sentido um pouco diferente. Esses dias o senhor escreveu, seguindo a prisão de Temer, que era arrepio da lei. Por mais que conheçamos o histórico de Temer, acredita que é uma resposta da Lava Jato sobre o STF ou a Lava Jato se virou num poder paralelo no Brasil?

CIRO GOMES: Eu não digo que ela virou um poder paralelo no Brasil porque a Lava Jato tem prestado, ou prestou, é melhor que eu use esse tempo verbal, grandes serviços ao Brasil.

É bom que, por mais que a gente sofra o trauma da prisão do presidente Lula, lembrar que o Geddel Vieira Lima está preso. Ex-ministro do Lula, ex-vice presidente da caixa econômica federal da Dilma, pilhado com 51 milhões de reais em espécie em malas dentro de um apartamento, está preso.

O Eduardo Cunha, que foi presidente da Câmara com apoio do PT e da Dilma, e que foi confrontado pelo ex-ministro da educação Cid Gomes (e a Dilma optou por ficar solidária ao Eduardo Cunha, junto com PT) também está preso.

Portanto, há um benefício da Lava Jato à vida brasileira.

Por mais trauma que haja, por mais defeitos – e os há! Cuidei de denunciá-los a seu tempo cada uma das vezes que aconteceu. Agora, nesse momento, eu não consigo avaliar a motivação do juiz Bretas, mas consegui avaliar muito rapidamente (e declarei na mesma hora) a total fragilidade e o confronto absoluto com a lei, com a regra e com a Constituição brasileira de seu despacho.

E disse que aquela prisão não se sustentava, apesar de ser, talvez, o político brasileiro que mais autoridade moral tem pra denunciar o senhor Michel Temer, que é um velho corrupto que merecia há muitos anos, há décadas, estar condenado e preso. Mas a pretexto de que “ele merece”… não é subtraindo o direito de defesa, o respeito às regras que são universalmente acatadas, que se deve fazer uma civilização.

General Mourão e a elite brasileira

Ciro Gomes ainda foi indagado acerca da possibilidade de a “elite” embarcar em um eventual governo do vice-presidente General Mourão. Sobre isso, respondeu que “a elite brasileira não tem apreço algum por democracia, decência ou qualquer coisa”. Leia a íntegra clicando aqui. 

A relação com o Congresso Nacional

Na sequência, Ciro respondeu a perguntas sobre a relação implodida entre Executivo e Legislativo. Perguntado sobre como governaria caso tivesse sido eleito, traçou um diagnóstico da situação nacional desde 1989 e como deve ser compreendido o Parlamento. Leia a íntegra clicando aqui.

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