PDT barra posse de diretor da Polícia Federal

Atendendo a um pedido do Partido Democrático Trabalhista (PDT), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes suspendeu a nomeação do delegado Alexandre Ramagen para a direção-geral da Polícia Federal (PF).

A decisão destaca o desvio de finalidade na escolha de Ramagen, amigo da família do presidente Jair Bolsonaro, a partir das alegações do ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro. Em sua saída, Moro disse que o presidente desejava retirar o delegado Maurício Valeixo do comando da PF para interferir politicamente na instituição. E ainda exigia acesso a informações de inteligência produzidas pelas investigações. As denúncias foram transformadas em inquérito aberto também no STF.

Vice-presidente do PDT e candidato à presidência em 2018, Ciro Gomes explicou hoje a posição do PDT ao pedir a suspensão da posse de Ramagen. Gomes foi entrevistado por José Luiz Datena no programa 90 Minutos da Rádio Bandeirantes.

“Um dos aspectos mais graves dessa crise política e institucional é a suspeita que o ex-ministro lança sob o caráter profissional da Polícia Federal. Pela lei é atribuição do presidente nomear livremente o diretor-geral. Nossa preocupação é que a PF é a polícia judiciária. E é nesse aspecto que nós do PDT pedimos à Justiça que examine o assunto, porque o Moro lançou uma suspeição clara de que o Bolsonaro está querendo invadir inquéritos, devassar informes de inteligência. (…) Toda a PF é construída na base do mérito, tem mecanismos extremamente profissionais e precisamos continuar confiando na nossa Polícia Federal”, explicou.

AÇÃO

O mandado de segurança que gerou a suspensão da escolha de Bolsonaro para a direção da PF foi apresentado pelo PDT na terça-feira (28). O partido pontua que a nomeação serviria para proteger Bolsonaro e os filhos das investigações. A PF atua em casos como a produção de fake news e as suspeitas do esquema de rachadinha no gabinete do então deputado Flávio Bolsonaro.

“A vontade pessoal contida no ato, é de, através da pessoa do Litisconsorte (Ramagem), imiscuir-se na atuação ordinária da Polícia Federal, sobremodo, a do exercício exclusivo de função de polícia judiciária da União, perante esta Corte, inclusive. Pretendendo-se, ao fim, o aparelhamento particular – mais do que político, portanto – de órgão qualificado pela lei como de Estado”, justifica o mandado de segurança.