Ciro Gomes, Marcelo Freixo e Maria do Rosário debatem no Congresso de Policiais Antifascismo

Convidado para participar do Congresso de Policiais Antifascismo, Ciro Gomes (PDT-CE) dividiu a mesa com notórias figuras públicas, entre as quais estavam os deputados federais Marcelo Freixo (PSOL-RJ) e Maria do Rosário (PT-RS).

Numa colocação acalorada, Ciro pregou a recomposição da hegemonia moral e intelectual perdida pela esquerda no campo popular e entrou em uma discussão com Maria do Rosário.

O tempo inteiro, Ciro referiu-se à esquerda na primeira pessoa do plural, admitindo responsabilidade pelos erros cometidos em nome da esquerda durante os governos dos últimos vinte anos.

Segurança nos últimos 25 anos

Após iniciar sua parte falando da importância de a esquerda prestar atenção nos erros cometidos que permitiram a eleição de Jair Bolsonaro, fruto direto da percepção do cidadão comum, Ciro apontou algumas incoerências mantidas pelos últimos governos.

CIRO GOMES: “Começaram a surgir alguns fenômenos que não existiam durante esses últimos 25 anos de governos socialdemocratas ou social liberais, governos estes ‘autorreferidos de esquerda’: as milícias; as facções criminosas; o narcotráfico organizado a fazer a ronda dos filhos dos brasileiros, pra servirem de bucha de canhão para as estatísticas de eficiência do aparelho repressor do Estado que prendeu ou matou vinte, cinquenta, cem traficantes…

Nós tínhamos 250 mil brasileiros nas cadeias já quando Lula toma posse. E nós, ouvindo o clamor popular, resolvemos sermos mais duros.

Nós fizemos saltar a população carcerária brasileira para 770 mil apenados numa estrutura prisional que tem 340 mil vagas. Quem representa esse salto? Quase dois terços jovens negros da periferia pobre do Brasil.”

Unidade de esquerda

Ciro Gomes, então, continuou sua fala criticando uma eventual unidade de esquerda em torno da manutenção dos mesmos erros que levaram os brasileiros e brasileiras à descrença com a política.

Ao lado de Maria do Rosário, Ciro questionou a unidade defendida por certos setores da esquerda.

CIRO GOMES: “Unidade pra quê, cara pálida? Pra fazer o mesmo? Conte comigo, não.

Mas vamos fazer o dia 30 juntos. Vamos combater essa reforma da previdência injusta, que 70 de cada 100 reais que ela economiza é no lombo de quem ganha até dois salários mínimos.

Nossos governos ‘de esquerda’ não cobraram tributos sobre lucros e dividendos nem mudaram nada no sistema tributário mais regressivo do planeta Terra. E vencemos quatro eleições. O Joaquim Levy, que é um expoente do progressismo global (risos da plateia), e está emprestado agora pro Bolsonaro, foi nosso ministro. Dessa unidade eu estou fora.”

“Falei mal do Lula, Maria do Rosário?”

Passando a palavra a Maria do Rosário, que se sentiu incomodada pelas críticas de Ciro Gomes aos governos petistas, o ex-governador foi repreendido por ela, que partiu para uma defesa emocionada do ex-presidente Lula, à qual Ciro Gomes perguntou – obtendo como resposta um efusivo “não” da plateia – se ele havia falado mal de Lula.

Entre interrupções da petista e aplausos, Ciro continuou sua digressão e se viu obrigado a se explicar frente aos protestos da deputada federal acerca do ex-presidente. Ciro resolveu, em dado momento, passar a palavra para Maria do Rosário.

MARIA DO ROSÁRIO: “É uma injustiça o que acontece com o Lula. Escutarei o Ciro, mas quero deixar consignada minha posição de que é uma profunda injustiça e parte deste movimento fascista.

CIRO GOMES: Eu sou fascista?

MARIA DO ROSÁRIO: Claro que não! Por isso estou aqui do seu lado! Eu gosto de você, mas você também sabe que eu gosto do Lula…

CIRO GOMES: “Tu ‘sabe’ que eu ajudei o Lula. Tu ‘sabe’ que o Ceará foi o único estado do Brasil que deu dois terços dos votos contra o impeachment. E tu ‘sabe’ também que Lula escolheu Michel Temer pra vice, que Lula escolheu Palocci pra Fazenda, que escolheu Levy, que escolheu a Dilma

Alguém aqui ouviu falar uma coisinha má do Lula? Eu usei a palavra ‘nós’ o tempo inteiro… nós malversamos a tarefa de resolver os problemas de segurança pública.”

“Por que Bolsonaro se elegeu?”

Ciro Gomes voltou à provocação inicial, que passava por uma análise dos erros da esquerda perante o sistema carcerário e perante o sistema público de segurança, para afirmar que a eleição de Bolsonaro é fruto desses erros.

Após breves interrupções de Maria do Rosário, Ciro concluiu exibindo suas razões para trazer ao debate os erros dos governos anteriores.

CIRO GOMES: “Por que Bolsonaro se elegeu? foi pelo talento dele? Foi por erro nosso!

Quer mudar a segurança?! Quer discutir uma estrutura nova de carreira?! Quer se pôr em debate contra a força neopentecostal que está aí na rua, poderosa no meio do nosso povo?!

Quer discutir descriminalização da droga e perder eleição?

Quer discutir desmilitarização da polícia – que é um assunto que tem que ser discutido! – sem saber qual o cuidado que isso tem perante a opinião pública?!

Essa é a discussão que eu tô fazendo!

A hegemonia moral

Concluindo sua fala após um tumulto se instalar perante as reações de Maria do Rosário e as provocações feitas por Ciro Gomes, o ex-ministro concluiu sua fala:

CIRO GOMES: “Ou a gente resolve a parada conceitual e busca recompor a hegemonia moral e intelectual perdida por nós no campo popular ou tudo isso é um exercício de boa intenção e país de boa intenção tá cheio.

Precisamos de gesto, exemplo e ideia!”

Assista à parte completa de Ciro Gomes:

Você tem acesso ao vídeo completo do evento no blog O Cafezinho.

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