Como a esquerda pode falar sobre concretudes da vida do povo?

A pergunta que dá título a este artigo foi formulado hoje pelo jornalista Glenn Greenwald em entrevista com Ciro Gomes. A preocupação de Glenn foi motivada pela sua percepção de que há uma distância entre as preocupações das maiorias populares, com emprego, segurança e transporte – por exemplo-, e as ações dos progressistas mundo afora.

Ciro compartilhou do diagnóstico de Gleen e propôs uma compreensão sobre suas causas. Para Ciro, o campo progressita mundial, em suas experiências no poder, aceitou a mitologia neoliberal e o pressuposto de que era possível tão somente “dourar a pílula” da pobreza e da desigualdade social.

As necessárias políticas sociais compensatórias, sobretudo em países que convivem com a pobreza extrema, como o Brasil, tomou o lugar de projetos políticos que combatam a extinção deste quadro. Para Ciro, as políticas sociais são inconsistentes para “reverter a tragédia real da vida do povo”, em suas palavras.

Segundo Ciro, o campo progressista só recuperará sua conexão com a vida do povo, da qual desertou, quando recuperar o método, o planejamento ou, mais precisamente, a IDEIA pela qual se guiar. Ideia esta moralmente alinhada a perspectiva generosa do progressismo, mas que seja popularmente intelígivel.

Ciro e Glenn apontaram ainda como tais concretudes, tem sido apropriadas toscamente por projetos de direita que não tem compromisso com o bem estar geral ou mesmo com a democracia.

Nesse sentido, Ciro lembrou mais uma vez que as fundamentais pautas chamadas “identitárias” mesmo se somadas não correspondem a totalidade do interesse de um povo ou “interesse nacional”. Para alcançar este é preciso uma visão holística e um projeto que compreenda as urgências as quais se referiu Gleen.

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