Emprego e o futuro do trabalho no Projeto Nacional de Desenvolvimento

Texto: Diana Tabarelli e Gabriela Perini.

Os últimos dados apresentados pela PNAD 2021 sobre o mercado de trabalho no Brasil demonstram que, apesar de alguns indicadores de melhora, a situação do emprego no país encontra cenários desfavoráveis.

Conforme demostra  este artigo  da Todos Com Ciro, a pandemia, como esperado, impactou o cenário. Parte dos indivíduos migraram para a condição de desistentes – sequer procuram emprego. O quadro é pior entre os jovens e menos escolarizados. Alguns segmentos sofreram perdas maiores, como os setores de alojamento, alimentação, e de educação, foram os que mais fecharam postos de trabalho nos últimos 12 meses, como aponta o IPEA.

A perspectiva é que, mesmo com a possível aceleração econômica no segundo semestre de 2021, as novas vagas não sejam suficientes para absorver toda a massa de desempregados. Assim, a taxa de desocupação seguirá elevada.

 

Aprender com nossos erros e encarar os novos desafios

O contexto não era muito favorável antes da pandemia. Historicamente, o Brasil sofre com altos níveis de trabalhos autônomos ou informais. Com o surgimento do microempreendedor individual (MEI) no governo Lula, a terceirização ganhou fôlego. Com a reforma trabalhista de Temer, o trabalho intermitente.

Esses casos são muito comuns no setor de serviços, especialmente aqueles ligados à manutenção da vida e da economia. Alimentação, limpeza, segurança, transporte, pequenas obras domésticas. Serviços extremamente necessários para a sociedade, mas que não transformam a cadeia produtiva. Este é o papel da indústria, onde novas técnicas de produção são geradas e os bens materiais tomam forma. Do minério à chapa de aço, à carroceria do automóvel. Das mudas, às plantas, ao álcool combustível. Da pesquisa à inovação. É através destas transformações que o país alcança novas riquezas e um novo patamar de bem-estar.

Não é possível reverter a situação apenas com geração de vagas. É preciso um projeto que compreenda nossas raízes para propor um caminho adequado ao crescimento.

 

O Brasil precisa voltar a crescer

Não superaremos a miséria, a pobreza e a desigualdade sem desenvolvimento.

Para Ciro Gomes, um dos fatores essenciais ao desenvolvimento é a mudança do modelo econômico que, nos últimos 26 anos, só proporcionou recuo ou estagnação do Produto Interno Bruto (PIB)> Para se ter uma ideia, em 2020, o PIB teve índice negativo (-4,1%).

 

Recuperar e modernizar a infraestrutura do país com investimento em ciência, tecnologia e inovação

É necessário aproveitar o vanguardismo produtivo e tecnológico que o Estado brasileiro já dispõe, como o Sebrae, Senai, Fiocruz, Embrapa, Finep e os bancos públicos para aproximar parte crescente da multidão de pequenas e médias empresas à inovação e ao empreendedorismo.

De igual modo, é preciso utilizar o potencial de serviços intelectualmente elaborados na agricultura científica e de precisão como os complexos agropecuário, energético, saúde e farmacêutico, defesa, o industrial de petróleo, gás e bioenergia e a reativação da construção civil como mananciais do desenvolvimento.

 

Reequilibrar as contas do país

Recuperar o Estado e racionalizar a dívida pública com reformas justas. No Brasil, quanto mais pobre você é, maior parte de sua renda é para pagar impostos. Quem possui mais, paga menos.

 

Recuperar o consumo das famílias

O consumo é resultado de três fatores: emprego, renda e crédito.

Agir sobre o emprego exige tempo, mas no crédito das pessoas pode-se agir agora. Por isso a importância de recuperar o crédito de 63 milhões de brasileiras e brasileiros que estão endividados(as), com nome no SPC e na Serasa.

 

Proteger o trabalhador: Economia crescente com agenda socialmente inclusiva

As novas práticas de produção devem ser pensadas para diminuição das desigualdades e não por imposição de leis que servem aos interesses de poucos, jogando a força de trabalho na desvalorização salarial, no subemprego, na informalidade e na precarização.

A Suécia, por exemplo, já experimenta o turno único, sem intervalo, de seis horas diárias. São alterações que consideram a saúde do trabalhador que deverão ser bandeira para evitar o crescimento de desempregados e a concentração da riqueza nas grandes corporações, gerada pela automação e informatização.

Com o tempo, muitos empregos que conhecemos deixarão de existir, mas isso não indica o fim do trabalho, outras atividades devem surgir. O avanço tecnológico passa essencialmente por uma revolução educacional que crie a cultura da educação contínua, integral e voltada à economia do conhecimento.

 

A melhor saída

É possível regular as contas públicas, gerar empregos, desenvolvimento industrial, proteção social e respeitar as boas práticas para a diminuição do impacto de nossas ações sobre o planeta?

Ciro Gomes afirma que sim. E com frequência vem apresentando os resultados do Ceará, que é hoje o estado mais líquido e com a maior taxa de investimento per capita do Brasil, além de possuir 87 das cem melhores escolas públicas do país.

O presidenciável publicou recentemente um vídeo sobre o impacto da política eficiente para geração de empregos em larga escala e a retomada econômica do Brasil. Aproveitou para convidar a população a participar da construção do Projeto Nacional de Desenvolvimento.

Confira abaixo!