Ciro Gomes condena a escalada de violência política no país

Ciro Gomes voltou a se manifestar sobre a situação política nacional (como tem feito rigorosamente nos últimos anos), desta vez para condenar os movimentos, por ele tido como políticos, da parte de juízes de primeira instância dando entrevistas em plena rede nacional. Além disso, ressaltou o valor da presunção de inocência que quatro instâncias precisam respeitar antes de se decretar a prisão de um réu, como descreve a Constituição.

Assistimos no Brasil, recentemente, inconsistências políticas, dentre as quais o papel e competências do poder judiciário são combustível de um abrangente debate, e que não pode ser menos importante que a discussão acerca da gravidade que representa um poder legislativo acossado por denúncias de corrupção e caixa 2.

Porém, mais importantes que tais declarações, foi sua reflexão sobre um incidente relacionado a essas aberrações a que assistimos no país. O ex-governador foi enfático ao cobrar das autoridades públicas investigações que atendam a um dos dramas mais recentes dos últimos dias, referente à escalada violenta que vem ameaçando o clima político.

“O ataque à caravana do ex-presidente Lula é um absurdo e deve ser investigado com rigor”, disse, referindo-se aos disparos feitos contra os ônibus que transportavam Lula pelo Paraná, e concluindo: “e repito a pergunta: quem matou Marielle?

Disse ainda, referindo-se ao mesmo assunto, mas numa ocasião diferente,  que o ônibus de Lula já vinha sendo alvo de ovos e pedras, o que se pode até considerar uma linguagem de protesto, mas que “bala é barbárie”.
Ciro criticou também a postura de quem diga que “os petistas colhem o que plantaram”, pois não só alguém poderia ter morrido como esse tipo de declaração indica em torno de que alguns interesses gostariam de polarizar o debate político nacional, quando nossos dramas são mais complexos que um antagonismo entre coxinhas e mortadelas.

Sobre a atuação de juízes dando declarações em rede nacional, disse que lhe incomoda darem entrevista. Ciro avalia que um juiz, ao explicitar valores, “entra na política”. A circunscrição a que deveria se limitar um juiz, diz ele, deveria ser reduzida a colocar sua sabedoria jurídica e imparcialidade a serviço dos autos. Daí a continuação de sua crítica estendida à existência da TV justiça, a que chamou de instrumento provinciano e terceiro-mundista.

Mais uma vez, o ex-ministro duas vezes tratou de informar aqueles que se dispõem a ouvi-lo de que “democracia é um regime de conquista que presume um cidadão treinado” para atuar politicamente. Mas que nosso povo, além de não treinado, tem que lidar com nossa história autoritária, a que volta e meia desconhece: somos um país autoritário, elitista e escravista.

Preocupa, ainda, em certa escala, a declaração recente do ex-vice presidente Michel Temer de que a “centralização do poder em 1964”, como se referiu ao golpe que instalou o regime militar, possa ter sido motivo de celebração. Preocupa, também, a declaração do colunista da Veja, Ricardo Noblat, de que “um ministro próximo de Temer” estaria antevendo um cancelamento das eleições deste anoPor via das dúvidas, é melhor prestar atenção.

Ciro está de viagem para a Europa, onde vem dando palestras e discutindo com grupos de políticos e intelectuais que lá residem.
 

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