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“Não tem como passar pano”, diz Ciro Gomes sobre caso Monark

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Na sua live semanal, Ciro Gomes comentou sobre a polêmica envolvendo as declarações de Monark no podcast Flow. Reproduzimos a seguir a fala de Ciro: “Eu não posso fazer de conta que não explodiu na internet essa polêmica da opinião infeliz, desastrada, trágica do Monark sobre o pretenso direito que os nazistas deveriam ter a organizar um partido. Não, não pode. Isso é um tema que está resolvido na legislação brasileira. É um tema pacificado, não sem muita dor. É bom a gente lembrar a necessidade de uma repulsa grave, sem qualquer tipo de “passar pano”, por que o nazismo é a pior patologia social que a humanidade já produziu em todos os tempos. É uma ideia genocida! Foram 6 milhões de pessoas, mulheres, crianças, idosos, civis inocentes… 6 milhões de pessoas foram assassinadas, torturadas de forma absolutamente podre e enojante. Não há outras palavras pra dizer. Não dá pra não ter repugnância pelo fato de que uma ideia, uma organização, tenha sido capaz de produzir isso. Portanto, foi muito mal, foi péssimo [a fala de Monark] e não há como “passar pano” pra isso.

Nós apenas não podemos ser intolerantes como o nazista é. É preciso tirar uma lição importante daí: porque que o nazismo tem que ser repudiado e não pode se permitir que ele se organize jamais em detrimento da democracia? Por que esse é um grosseiro equívoco de um liberalismo mal lido. O liberalismo enquanto teoria política é um valor importante para a humanidade. É aquela ideia da liberdade de expressão, de pluralismo, de que toda ideia tem direito de disputar a opinião pública e etc. E é nesse equívoco de um liberalismo mal lido… Inclusive estava ao lado dele [Monark] um deputado federal do Movimento Brasil Livre (MBL), Kim Kataguiri, que talvez frequente esse mesmo equívoco intelectual. Existe aí o “paradoxo da tolerância”, que é assim: será que a tolerância deve ser tão tolerante que admita que uma força que proponha o fim da tolerância possa disputar e ganhar a opinião pública, e com isso liquidar a tolerância? É pacífico na humanidade que a resposta é não.

E, infelizmente, o Monark não viu isso, não leu isso. Essa mania na internet de lacração, de provocar, de parecer diferentão e tal, vai causar muita tragédia ainda no Brasil. Espero que não cause uma tragédia pessoal maior do que aquela que já causou pra ele. Foi demitido do podcast, o Flow perdeu seus patrocinadores… Todos sabem que eu tenho um carinho e uma gratidão grande. Eu estive no Flow, mais de 6 milhões de brasileiros me acompanharam lá e o Ciro Games foi ideia do Igor. Mas enfim, não dá pra “passar pano”, foi um erro grave, frequentou o limite do crime, por que é intolerável que se aceite a organização do nazismo em qualquer situação. Porém, é uma página que temos que virar tirando a amarga lição de que a tolerância conviver com o intolerante. Quem propõe o fim das liberdades e da democracia não pode ter liberdade para se organizar. Isso é um elemento central da liberdade verdadeira de organizar as democracias. Esse programa [Ciro Games], essa pessoa e a minha militância estão a serviço desses valores. Toda liberdade do mundo, menos para os liberticídas, para os inimigos da democracia.”