Ciro denuncia ação dos bancos na pandemia

Os micro, pequenos e médios empresários são responsáveis por gerar dois em cada três empregos no Brasil. E são justamente esses empreendedores que mais estão encontrando dificuldade em manter seus negócios e pagar os salários dos trabalhadores durante a pandemia do novo coronavírus, seja por erros do governo Bolsonaro ou por dificuldades impostas pelos bancos.

Um dos entraves está na Medida Provisória (MP) 944, lançada na primeira semana de abril. Ela disponibilizou um crédito de R$ 40 bilhões para as pequenas e médias empresas (faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões) financiarem suas folhas de pagamento e manterem os empregos. Deste montante, R$ 34 bilhões saíram dos cofres públicos e o restante foi complementado por bancos.

Uma matéria publicada pelo The Intercept Brasil dá bem a dimensão do problema que as empresas vêm encontrando para acessar o crédito. A reportagem assinada pelo jornalista Diego Salmen que apenas R$ 1,44 bilhão chegou até agora aos caixas das empresas – e consequentemente aos bolsos dos trabalhadores – após mais de um mês de vigência da MP 944. O programa que foi desenhado para beneficiar mais de 12 milhões de trabalhadores alcançou um milhão até agora. Acesse aqui a matéria e veja os relatos entristecedores de todos os empresários que não conseguiram crédito até agora.

Como a MP 944 não impôs nenhuma contrapartida por parte dos bancos, todas as exigências possíveis e imagináveis estão sendo feitas aos empresários, que ao fim do processo terminam por não conseguir o crédito. Além de tudo, as taxas de juros dos financiamentos foram elevadas, justamente no período em que a taxa Selic vem caindo.

A situação dramática foi discutida por Ciro Gomes e Mauro Benevides Filho, deputado federal pelo Ceará, no programa Repare Bem, em live transmitida no Youtube. A dupla analisou as medidas e, principalmente, porque elas não funcionaram até agora. Durante o debate, Ciro Gomes e Mauro explicaram e denunciaram as razões por qual os bancos estão atuando dessa maneira. 

“Este é um país sangrado. O dinheiro do povo brasileiro foi disponibilizado para os bancos, os bancos não emprestam, criam todo tipo de condicionamento. Porquê? Porque no fim da tarde eles emprestam para o governo, que paga a eles uma taxa de juros que está subindo. Se a inflação está em queda, para cair abaixo de zero, a taxa Selic é a taxa real (de juros) mais alta do planeta”, afirmou o pedetista.

O empréstimo citado por Ciro trata-se das operações compromissadas. Por meio delas, os bancos são remunerados por sua sobra de caixa ao emprestar ao governo federal. Com isso, o pagamento da dívida pública encurta seu prazo de meses para poucos dias. “Não existe igual no mundo. As operações estão chegando a proporções impossíveis, cerca de 17% do PIB”, explicou Mauro Filho.

Os bancos brasileiros lucraram no ano passado, durante um dos piores períodos econômicos da história do Brasil, mais de R$ 100 bilhões. Valor este que não é taxado por nenhum imposto e é distribuído livremente entre os acionistas e banqueiros, diferentemente do que é defendido pela proposta de Ciro Gomes.

A falta de crédito para pagar aos trabalhadores também trava a mola mestra do PIB brasileiro. Sem salários, consequentemente não há consumo e dois terços da economia brasileira dependem do consumo das famílias.

Para Ciro, a atuação dos bancos neste período de pandemia e depressão econômica ao negar o crédito para os pequenos empresários é irresponsável.

“Os bancos estão exigindo garantias absurdas, fraudando aquilo que é o imperativo de socorrer as empresas que pelo menos por dois em cada três empregos são responsáveis no nosso país. E estão botando gasolina em uma fogueira que vai destruir o tecido econômico, talvez até em mais de 8%, que os economistas mais assustados já estão falando. Isso não tem precedente. Essa gente é irresponsável e criminosa de ficar guardando dinheiro que foi dado pelo governo para fazer isso e no fim da tarde aplicar em juros do governo. Isso é um escândalo que o Brasil está vivendo. O empresariado brasileiro precisa acordar, não pode mais estar batendo palma para governo que repete essa prática. Quem tá matando o Brasil é o prestígio à especulação financeira, em prejuízo de quem trabalha e produz”, concluiu.

 

Foto: Tânia Rego/Agência Brasil