Ciro Gomes sobre a Venezuela, Gleisi Hoffmann e Nicolás Maduro

A fim de esclarecer o posicionamento de Ciro Gomes sobre a Venezuela e a crítica por ele tecida à decisão política do PT de a presidente do partido comparecer à posse de Nicolás Maduro, reunimos aqui os vídeos em que o ex-governador expõe suas opiniões.

Recortando a crítica de Ciro à ida da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, à Venezuela, veículos de imprensa e blogs de opinião reproduzem metade do que afirmou o pedetista.

Perguntado pela CBN do Rio de Janeiro em passagem pelo estado sobre a ida de Gleisi à posse do presidente venezuelano Nicolás Maduro, Ciro respondeu o que lhe foi perguntado:

“A burocracia do PT – não a base! – virou uma organização criminosa. Perderam completamente a compostura, o respeito e agora tá aí! Qual é a explicação pro PT se ausentar da posse do presidente eleito, ainda que a gente seja contra ele, pesadamente? O PT não abriu a boca contra o Bolsonaro uma vez sequer no primeiro turno, escolheu o Bolsonaro por conveniência e oportunismo como adversário, agita a ideia de que a democracia brasileira está sob ameaça e vai pra posse do Maduro. Eles que se expliquem.” – Ciro Gomes, janeiro de 2019

É flagrante que a intenção do ex-ministro é de confrontar a contradição de comparecer à posse do presidente venezuelano enquanto boicota a posse do presidente brasileiro.

No vídeo, de menos de três minutos, escutamos o trecho veiculado na rádio, no qual o ex-ministro compara a eleição de Jair Bolsonaro à de Fernando Collor de Melo em 1989 e critica a decisão da burocracia petista de fazer-se ausente da posse do presidente eleito brasileiro enquanto comparece à do presidente reeleito venezuelano.

“Ciro disse que a Venezuela era uma democracia”

Horas após a crítica de Ciro à decisão imprudente de comparecer à posse de um presidente venezuelano enquanto boicota a de um presidente brasileiro recentemente eleito, certos blogs passaram a resgatar falas do ex-ministro afirmando que a Venezuela é uma democracia.

A forma como encara a situação venezuelana, porém, nunca mudou para Ciro Gomes: defende uma posição nacional independente dos interesses das potências imperialistas.

Ciro Gomes e a posição do Brasil perante a Venezuela

MARCO ANTONIO VILLA: Relações com países bolivarianos. Com a Venezuela, como vai ser?

CIRO GOMES: O Brasil vai se integrar com seus vizinhos e não se meterá nos assuntos domésticos de cada um deles. 

MV: Mesmo que viole os direitos humanos e seja uma ditadura?

CG: A juízo de quem?

MV: O senhor acha que a Venezuela é uma democracia?

CG: A Venezuela é uma democracia tão democrática quanto a brasileira e a americana. Eu gosto do regime? Não, não gosto do regime.

“O Brasil é guiado internacionalmente por princípios muito sólidos. Um deles é a não intervenção em assuntos domésticos. O outro é a solução pacífica dos conflitos. Esses dois princípios obrigam o Brasil a tomar uma posição de mediador no conflito venezuelano. Eu não sou do PT que alisa o Maduro. Mas eu não posso deixar que não fique muito claro que nosso papel é desarmar aquela bomba. Em função da presença da China na Venezuela, em função da presença crescente da Rússia na Venezuela, tudo isso nas nossas fronteiras e o Brasil calado, os americanos convidaram a Colômbia pra entrar na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte)! Veja o que tá acontecendo na nossa região! Veja, pela omissão do Brasil, pela vassalagem dessa gente que nos está governando, o Brasil está assistindo calado China e Rússia tomando centralidade na Venezuela. Isso é dramaticamente perigoso! Pro mundo!” – Ciro Gomes, junho de 2018

Ciro Gomes sobre a Venezuela no Roda Viva

“É criminosa a posição do governo brasileiro de tomar lado na questão venezuelana como se fôssemos mero gendarme dos interesses imperiais americanos que, simplesmente, querem praticar um golpe na Venezuela. Não por acaso, é o outro lugar onde tem petróleo na América Latina. Portanto, o papel do Brasil não é alisar o Maduro e suas práticas que já estão passando de qualquer razoabilidade, muito menos tomar lado, como o governo brasileiro tomou, dessa fração fascista, entreguista e vendilhã da Venezuela que a oposição representa hoje.” – Ciro Gomes, maio de 2018

 

A usina de intrigas continua a todo vapor, apesar de o período eleitoral de 2018 já ter sido concluído. E ela tem agentes tanto na grande imprensa quanto na mídia independente, reproduzindo meias verdades.

As opiniões de Ciro são claras: crítico do regime de Maduro; ciente dos obstáculos impostos pelos interesses imperiais que cobiçam o petróleo latino-americano; contrário ao golpismo oportunista que é conveniente na América Latina; e absolutamente crítico da contradição de não respeitar o rito democrático brasileiro enquanto se submete ao venezuelano.

Não fosse o boicote à posse do presidente brasileiro, é altamente possível que nem se estivesse falando sobre a viagem da presidente do PT.

One Comments

  • Almir Guimarães 12 / 01 / 2019 Reply

    O homem, o resto é lixo!!

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