Ciro debate com estudantes sobre o futuro das universidades

Ciro Gomes, pré-candidato à presidência da República pelo PDT, conversou na noite de ontem (11), Dia do Estudante, com alunos, professores e pesquisadores de todo país sobre “o futuro das universidades” . Organizado por entidades atléticas e centros acadêmicos paulistas, o evento pôs em pauta a urgente efetivação de um projeto nacional de desenvolvimento para o ensino superior.

Durante o encontro, que durou mais de 90 minutos, a educação brasileira esteve no centro das discussões. E, em conformidade à perspectiva trabalhista, foi posta como base à emancipação nacional.

O diagnóstico de um professor emprestado à política

Sumarizando sua trajetória, Ciro se apresentou aos estudantes como um professor emprestado à política. Reforçou, assim, em poucas palavras, seu compromisso com a luta pela educação iniciado por figuras históricas como Anísio Teixeira, Darcy Ribeiro e Leonel Brizola.

Durante sua fala, o pedetista salientou que busca envolver os jovens em uma discussão não apenas sobre escolas e universidades, mas em um debate amplo sobre os rumos da nação. Em sua visão, o êxito civilizatório de um país depende, entre outras coisas, de sua disposição para investir em gente e oferecer educação de qualidade à população. Todavia, como nosso povo bem sabe, o Brasil tem falhado também nesse aspecto.

“Na América Latina, a Argentina tem o dobro da escolarização média brasileira. A Colômbia garante vaga a 42 de 100 garotos na universidade. Em Cuba, um Estado paupérrimo sitiado pelo mais ilegal embargo econômico […], 55% da sociedade tem nível superior”, destacou Ciro.

Ao refletir sobre os fatores internos que explicam o fracasso de nosso sistema educacional, Ciro citou a impertinência do poder político brasileiro que, como atesta a história, tem preferido um povo menos qualificado, menos educado, ou seja, menos crítico e mais manipulável; a precariedade do financiamento público (agravada pelo teto de gatos); e destacou a extemporaneidade do paradigma pedagógico nacional.

O Brasil do século XXI ainda é o país da decoreba

Orientado pelo ultrapassado modelo fordista, o paradigma educacional brasileiro ainda estimula a mera reprodução de informações. No Brasil, “o professor ainda se sente obrigado a reproduzir informações com metodologias e práticas de ensino absolutamente defasadas, sustentadas por giz e lousa, e o aluno, sob estresse, a replicar essas informações sem poder consultar o livro ou o colega ao lado […]. Isso tudo é lixo”, disse Ciro durante o papo.

Em tempos de Google, conforme exposto pelo pedetista, a informação está disponível. O modelo pedagógico, portanto, deve, hoje, estar voltado à formação de profissionais capazes de, a partir de consultas ao universo informacional dado, fazer perguntas, estabelecer conexões e gerar novos saberes. Esse processo é, em suma, o fundamento à inovação, a essência da “economia do conhecimento” e da capacitação analítica e crítica dos profissionais em formação.

Ao expor tal compreensão aos estudantes, Ciro reforçou que alterar o paradigma pedagógico brasileiro é condição fundamental para o progresso civilizatório e econômico do país. Isso pois, em última análise, o aumento da produtividade do trabalho, a capacidade de adaptação às mudanças tecnológicas e sociais e o aproveitamento de novos talentos científicos dependem dessa alteração na forma de ver, pensar e estruturar nossas políticas públicas no campo da educação.

PND: convite a uma revolução educacional

Diante do trágico cenário percebido e denunciado não apenas por Ciro Gomes, mas também pela própria comunidade acadêmica, torna-se evidente que o Brasil só obterá êxito após promover uma verdadeira revolução educacional.

Sendo assim, o Projeto Nacional de Desenvolvimento (PND) prevê “transformar a educação de prioridade retórica em prioridade orçamentária”, concentrando esforços à viabilização de cinco propostas:

  1. Federalização da gestão do ensino básico;
  2. Mudança radical no conteúdo da educação brasileira, direcionando o foco para o desenvolvimento de capacidades analíticas;
  3. Priorizar seriamente o investimento no preparo e na remuneração de professores;
  4. Entrada da educação pública na era da informática, através da informatização de procedimentos de avaliação dos serviços escolares por alunos e pais, de acompanhamento escolar de estudantes e disponibilização de conteúdo educacional aberto e atraente;
  5. Apoio material à criança pobre para permanência na escola, trazendo a família para o acompanhamento da vida escolar.

Os pontos expostos, alguns já experimentados com absoluto sucesso em Sobral, funcionam como um convite para se iniciar uma profunda alteração no sistema educacional e, por consequência, na sociedade brasileira.

O Brasil que queremos

No capítulo “Um projeto para o Brasil”, do livro “Projeto nacional: o dever da esperança”, Ciro destaca que para nos colocarmos de maneira competitiva em um mundo orientado pela “economia do conhecimento” e pela velocidade, precisamos de uma sociedade dedicada a:

“criar e generalizar o uso de novas tecnologias, assim como a educar seus novos cidadãos para aprenderem a aprender, pensar criticamente e criativamente e atuar de forma experimentalista no processo de inovação, aplicando a forma de pensar da ciência no dia a dia da produção”.

Alcançar o patamar de desenvolvimento desejado pelos brasileiros exigirá investimento público em ciência e tecnologia, coordenação entre universidades e entidades públicas e privadas, um plano nacional que indique prioridades e, acima de tudo, a manutenção de constante diálogo entre Governo Federal, comunidade acadêmica, setores empresariais e sociedade civil.

Quem acompanha a trajetória de Ciro Gomes, sua agenda de debates e conhece as propostas contidas no PND sabe que “o Brasil pode dar certo”. Quem acompanha o desenvolvimento de Sobral pode atestar que, com vontade política e engajamento social, é possível transformar uma comunidade através da educação.

A participação de Ciro Gomes no evento promovido em homenagem ao Dia do Estudante não apenas reforça sua disposição ao diálogo, mas também reafirma seu compromisso de reunir inteligências para pensar e oferecer alternativas que garantam algum futuro ao Brasil.

Enquanto alguns tentam polarizar a nação em nome de seus projetos de poder, Ciro reúne os brasileiros em prol de projeto nacional. Enquanto houver interessados em buscar coletivamente soluções ao Brasil, o dever da esperança irá prevalecer.

Veja o debate na íntegra: