Ciro Gomes classifica como criminoso o fim do auxílio emergencial

Apesar dos alertas de especialistas do mercado financeiro, do apelo de governadores e do impacto positivo do auxílio emergencial na geração de empregos, Bolsonaro disse que benefício não é aposentadoria e não será prorrogado. Ciro Gomes, uma das primeiras vozes a se levantar em prol do auxílio, classificou o fim do programa como criminoso.

Em declaração recente, Ciro destacou que sem o benefício “milhões de brasileiros voltaram para o mapa da fome e da extrema pobreza. O nosso povo não merece enfrentar a pandemia e o descaso de Bolsonaro”.

Será que Ciro está certo mais uma vez? Vejamos o que os números sobre o impacto do auxílio emergencial podem nos dizer …

“DEU BILHÃO”

O repasse do auxílio emergencial teve início em abril de 2020. Após muita pressão da oposição, o valor mensal de transferência ficou entre R$ 600 e R$ 1.200 (para mães chefes de família). Após cinco parcelas, o valor caiu pela metade e, em dezembro, o programa foi encerrado.

De acordo com o Ministério da Cidadania, o volume total do auxílio ultrapassou R$ 275 bilhões e transferiu renda a 67,9 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica (31,2% da população) durante a pandemia de Covid-19.

A cifra, constantemente enfatizada pelo governo federal, parece menos generosa quando comparada aos custos da dívida. Os gastos com juros e amortização da dívida pública chegaram, em 2020, a R$ 1,3 trilhão (com T, de tapioca), representando a maior parcela do orçamento e o maior crescimento nominal (33% superior ao valor gasto em 2019).

O IMPACTO DO AUXÍLIO NA GERAÇÃO DE EMPREGOS

De março a novembro de 2020, o saldo de vagas formais de emprego no Brasil foi negativo. Ao total, 112 mil postos de trabalho foram fechados. O auxílio emergencial, entretanto, foi capaz de conter, em certa medida, o avanço da pobreza e atenuar o crescimento das taxas de desemprego durante a pandemia, especialmente em pequenos municípios das regiões norte e nordeste.

Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgado pelo Ministério da Economia, o saldo positivo de vagas de emprego ficou concentrado nas localidades (majoritariamente, pequenas cidades) com maior cobertura do auxílio emergencial.

No ranking dos 500 municípios com melhor desempenho no mercado formal de trabalho entre março e novembro do último ano, 71,4% (357 municípios) tiveram mais beneficiários do auxílio emergencial do que a média nacional (32,1%). Enquanto nestas localidades foram criadas 105 mil vagas de emprego, nos municípios onde a cobertura ficou abaixo da média, o resultado foi negativo: 217 mil postos foram fechados.

UM CAMINHO RUMO AO COLAPSO SOCIAL

Com o fim do repasse, a perspectiva é ter, já em janeiro, uma taxa entre 10% e 15% da população brasileira na linha da pobreza extrema (pessoas que vivem com menos de US$ 1,90 por dia). Isso significa poder dobrar a taxa de 2019: 6,5% da população, ou seja, 13,7 milhões de pessoas, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

A taxa da pobreza (menos de US$ 5,50 por dia), por sua vez, deve oscilar entre 25% e 30% no começo do próximo ano. Em 2019, ela foi de 24,7%, abarcando cerca de 51 milhões de brasileiros. Trocando em miúdos, a inépcia política do governo federal nos encaminha para um cenário com, pelo menos, 73 milhões de brasileiros vivendo em situação de pobreza ou pobreza extrema.

As projeções apresentadas, calculadas para a BBC News Brasil pelo economista Daniel Duque, pesquisador do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas), demostram que, sem medidas para transferir renda e gerar emprego, o Brasil seguirá “dançando à beira do abismo” e flertará com o colapso social já no primeiro semestre de 2021.

Infelizmente, Ciro parece estar mais uma vez.

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