Para Ciro Gomes, resolver o endividamento das famílias e empresas é primeiro passo para debater e melhorar o Brasil

Ciro Gomes esteve nessa semana em Minas Gerais para um conjunto de eventos e mais uma vez destacou que, para melhorar o Brasil, resolver o endividamento das famílias e das empresas está entre as primeiras questões que o país deve debater.

O ex-Ministro da Fazenda vem chamando atenção para o fato de que se aproxima de “60 milhões o número de brasileiros com o nome negativado no SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) e SERASA”. Como lembra Ciro, isso significa que grande parte da população do país está excluídado consumo que seja acessível via crédito, o que é algo grave para um país que tem renda muito deprimida” como é o caso do Brasil hoje em dia.

Com salários baixos e aumento dos preços, a população comumente se vale de serviços de crédito para poder comprar as despesas e produtos durante o mês, mas os números indicam, agora, que mesmo esse recurso não pode mais ser utilizado por grande parcela dos cidadãos. Isso forma uma situação preocupante de mais endividamento, de informalidade e de ameaça nas condições para manter a qualidade de vida.

Segundo Ciro, além disso, a população que está nessa condição vê como culpa individual aquilo que é, na verdade, um problema generalizado causado pelas bases econômicas brasileiras de hoje. Na medida em que a população não percebe o contexto amplo que achatou a renda do trabalhador, aumentou preços, encareceu o crédito, ela interioriza uma sensação de fracasso e de descrença na política, quando na verdade a política  deveria ser vista como modo de mudar essa situação.

O Brasil está hoje praticamente proibido de crescer, a começar por uma primeira questão que é o endividamento das famílias e das empresas”, afirma Ciro. Sobre as empresas, o ex-governador salienta que “o conjunto empresarial brasileiro tem uma dívida consolidada com o sistema financeiro que pode chegar a 2 bilhões de reais, e grande parte desse valor está consignada como crédito de recuperação duvidosa pelos bancos”.

Ou seja, o risco de as empresas não honrarem suas dívidas também cresce e, por consequência, pelas chances disso acontecer, os próprios bancos não diminuem suas taxas (como as de crédito e de financiamento, por exemplo). Isso cria uma cadeia de ações que afeta os trabalhadores consumidores, as empresas de produção e de serviços e o sistema bancário, com um comportamento de retração em toda a economia.

No evento “Conexão Empresarial” que ocorreu em Nova Lima na última segunda-feira (16/04), Ciro Gomes organizou sua fala para responder a duas perguntas: “o que aconteceu para que o Brasil chegasse a essa situação?”e “o que fazer, como fazer, por onde caminhar para que o Brasil saia dessa situação de estagnação econômica?”.

Para Ciro, depois dos anos de 1980, a verdade é que o país ainda não foi capaz politicamente de colocar um novo projeto no lugar do modelo que nos fez deixar de ser uma economia fraca no começo do século XX para nos tornamos um país industrializado com altas taxas de crescimento. Segundo ele, esse modelo se esgotou com as mudanças globais e nacionais ocorridas na década de 1980 e, como ressalta, desde então o Brasil cresce em média pífios 2% ao ano.

Com base nessa reflexão e em sua trajetória política, Ciro Gomes vem discutindo “um novo Projeto Nacional de Desenvolvimento” para o país e, pela terceira vez, é pré-candidato à presidência da República. Além de estar em diálogo com nomes importantes como Nelson Marconi, Mauro Benevides Filho e Mangabeira Unger, Ciro tem se destacado pela habilidade em conectar os problemas práticos e reais do cotidiano do brasileiro (como esse do endividamento) às questões da economia nacional.

*A íntegra do evento que ocorreu em 16/04 poder ser conferida em diversos canais pelo youtube.


 
 

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