Ciro, Manuela e Boulos: diálogos no campo progressista

Três pré-candidatos à presidência do chamado campo progressista estiveram em um debate promovido pelas assembleias legislativas estaduais na última semana, o cearense Ciro Gomes, o paulista Guilherme Boulos e a gaúcha Manuela D’ávila. Aparte as não poucas diferenças entre eles e seus discursos, nos quais se percebem as diferentes ênfases devido as suas trajetórias políticas, filiações partidárias e mesmo de personalidade, são evidentes as convergências programáticas.

As discrepâncias entre eles são naturais, pois são projetos alternativos de país e, inclusive, desejáveis dentro de um processo democrático, mas menos definidoras de suas falas do que as semelhanças. Seus discursos são fundamentados, com diferentes matizes, na compreensão estrutural da crise brasileira e suas raízes aprofundadas no agudo conflito distributivo do qual padece o Estado brasileiro. Conflito esse que, como destaca Ciro, compromete mais da metade do orçamento público com dívida e juros pagos aos bancos e, em contrapartida, nas palavras de Boulos, “sub-tributa” esse mesmo sistema financeiro que pesam, fortemente, sobre a população mais pobre a classe média.

Outro ponto de convergência foi o destaque à questão do atual “esfacelamento do pacto federativo”, ao qual Ciro sempre se refere e foi abordado por Manuela D’ávila. Segundo a deputada, é preciso que haja “uma nova visão sobre o pacto federativo” no qual se entenda que “a união não resolverá sozinha os problemas do país” e que, pelo contrário, ao pesar sobre os estados e municipalidades legislações e regramentos de forma unilateral, pesam sobre as regionalidades desconsiderando suas importantes especificidades.

Os três destacaram a importância desse diálogo em suas redes sociais e ao fato de compartilharem muito mais proximidades do que diferenças programáticas. Nesse sentido, é importante destacar que este momento do processo eleitoral é justamente o de debates, proposições e respeito às diversidades de candidaturas propostas. Entendendo que, as diferenças existentes são naturais e positivas, mas não impede o diálogo em prol de algo maior, que nos une, a preocupação genuína com a sorte do povo brasileiro.

Sobretudo, as candidaturas de Ciro, Manuela e Boulos evidenciam que, apesar do momento de turbulência e descrença, existem no Brasil quadros políticos de qualidade com os quais podemos contar.

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