Ciro Gomes avisa ‘investidores’ do entreguismo. ‘Não venham comprar. Vai voltar tudo para a posse do povo brasileiro’

Perguntado sobre a reação de empresários quando afirma ser contra a venda de empresas como a Embraer e a Eletrobrás, Ciro Gomes explicou ao jornalista Rafael Colombo, no programa Canal Livre (08/05), suas razões e sua conduta sobre o assunto neste período de discutir opiniões das pré-candidaturas:

É transparência no jogo e um comportamento absolutamente avesso a certo tipo de investimento”, disse o ex-governador em referência a sua conduta e aos investidores estrangeiros em busca de ativos estatais brasileiros. “Porque nenhum país do mundo civilizado entrega seu regime de águas pro capital estrangeiro. Nenhum país do mundo, tendo a potência do petróleo que o Brasil tem, deixa de administrá-lo em favor do seu objetivo estratégico nacional. Porque não faz sentido isso, é simples assim como estou lhe dizendo”.

Ciro comentou ainda sobre sua postura estratégica de transparência ao debater questões como essa. “Eu estou tentando avisar ao investidor estrangeiro que um dos pré-candidatos pensa assim, transparente e claramente, para que ele amanhã não venha alegar que foi enganado pela sociedade brasileira. É só isso que eu estou fazendo. Não venham comprar [as estatais em questão e campos de petróleo], porque se eu for presidente, vai voltar tudo para a posse e propriedade do povo brasileiro com as devidas e corretas indenizações”.

No mesmo dia, o jornalista Kennedy Alencar divulgou em seu portal trechos da entrevista concedida a ele pelo atual presidente da Petrobrás, Pedro Parente, que comentou a fala do ex-governador e pré-candidato Ciro Gomes. Veja na imagem abaixo:

Ao contrário do que afirma Parente, Ciro e várias outras lideranças políticas e especialistas têm dito que seria benéfico usar o potencial que a Petrobrás já possui para participar da exploração dos campos do pré-sal e, nesse sentido, não se fala necessariamente em “guardar reservas” – como disse Parente -, mas sim incentivar e investir, desde já, em um complexo industrial do petróleo, ou seja, que não se dedique apenas à extração e à exportação de petróleo bruto, mas que também possa fazer o refino e o processamento de seus derivados (combustíveis, parafinas, polímeros sintéticos).

A ideia consiste em usar esse potencial enorme dos recursos petrolíferos para fazer girar as engrenagens nacionais: com a formação de mão-de-obra e de empresas brasileiras que possam entrar na produção de itens e serviços da cadeia industrial do petróleo, tornando o Brasil um produtor de mercadorias de maior valor agregado nesse setor (altamente estratégico para qualquer país).

Sob esse ponto de vista, a pressa do governo atual em liquidar as reservas do pré-sal, ainda por cima a preços baixos e com serviços de empresas estrangeiras, impede que o Brasil tire proveito desse potencial de riqueza tanto quanto poderia e, por isso, considera-se que a gestão atual da Petrobrás é movida pelo entreguismo e por uma conduta que fere diretamente os melhores interesses do povo em seus próprios recursos naturais escassos.

Como acionista controlador da Petrobrás, o poder executivo nacional, na representação sobretudo do presidente da República e de seus indicados para cargos da estatal, tem palavra forte nos contratos assinados pela empresa que, como afirma Ciro Gomes, podem ser desfeitos sob as cláusulas e indenizações que estão previstas em cada negociação.

Resta saber em que termos foram feitas as negociações do governo Michel Temer e do tucano Pedro Parente na entrega do petróleo brasileiro do pré-sal aos estrangeiros e com quanto, em termos de pagamento de indenizações, a empresa mais reconhecida de patrimônio dos brasileiros terá que arcar para recuperar a exploração do petróleo de nosso próprio povo.

 

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