Crítico à gestão atual da Petrobras, Ciro Gomes comenta alta dos combustíveis

Em sua página oficial mantida na rede social Facebook, Ciro Gomes se pronunciou nesta quinta-feira (24/05) sobre a alta dos preços dos combustíveis, motivo das paralisações por todo o país dentre caminhoneiros e trabalhadores do transporte de cargas. Nos debates que tem feito sobre um novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, o pré-candidato trabalhista enfatiza com frequência o papel essencial e estratégico que a Petrobras e todo o complexo industrial do petróleo (incluindo a produção de combustíveis) poderiam e deveriam estar ocupando no Brasil. Na postagem, Ciro Gomes mais uma vez explicitou sua crítica à atual gestão da empresa:

A alta dos combustíveis é uma aberração que praticamente nega a razão de ser da própria existência institucional da Petrobras. A política de preços adotada está equivocada e desrespeita a sua estrutura de custos. Toda a eficiência da Petrobras deve ser transferida para o interesse público brasileiro e é isso que nós vamos fazer

Dias atrás, em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, Pedro Parente, atual predisente da Petrobras, tentou rebater algumas das críticas de Ciro Gomes sobre sua gestão na empresa.

Ao contrário do que afirma Parente, Ciro e várias outras lideranças políticas e especialistas têm dito que seria benéfico usar o potencial que a Petrobrás já possui para participar da exploração dos campos do pré-sal e, nesse sentido, não se fala necessariamente em “guardar reservas” – como disse Parente -, mas sim incentivar e investir, desde já, em um complexo industrial do petróleo, ou seja, que não se dedique apenas à extração e à exportação de petróleo bruto, mas que também possa fazer o refino e o processamento de seus derivados: combustíveis, parafinas, polímeros sintéticos.

Uma gestão que compreende o papel estratégico do petróleo brasileiro e de seus derivados poderia tornar o país menos dependente da importação de combustíveis, baratear custos desses produtos, além de gerar empregos em solo brasileiro e formar profissionais qualificados para ocupar essas posições em refinarias, por exemplo.

Para Ciro Gomes, é preciso usar esse potencial enorme dos recursos petrolíferos para fazer girar as engrenagens nacionais: com a formação de mão-de-obra e de empresas brasileiras que possam entrar na produção de itens e serviços da cadeia industrial do petróleo, tornando o Brasil um produtor de mercadorias de maior valor agregado nesse setor (altamente estratégico para qualquer país).

As decisões tomadas pela gestão de Pedro Parente (filiado ao PSDB) à frente da Petrobras levam agora ao aumento do custo dos combustíveis derivados do petróleo no Brasil, uma vez que, como efeito dessa gestão, o país tem fechado refinarias, tem deixado de produzir combustíveis e passa a ter que importar tais produtos. Com isso, os preços ficam mais suscetíveis à flutuação do câmbio com o preço do dólar, por exemplo.

A compreensão de Ciro Gomes acerca do papel da Petrobras diverge profundamente do atual modelo de gestão. O ex-ministro, por exemplo, tem afirmado que “nenhum país do mundo, tendo a potência do petróleo que o Brasil tem, deixa de administrá-lo em favor do seu objetivo estratégico nacional. Porque não faz sentido isso, é simples assim como estou lhe dizendo”.

Em debates dos quais têm participado, Ciro tem indo além e anunciado de modo transparente sua posição sobre a concessão de campos de exploração do pré-sal a empresas estrangeiras: “Eu estou tentando avisar ao investidor estrangeiro que um dos pré-candidatos pensa assim, transparente e claramente, para que ele amanhã não venha alegar que foi enganado pela sociedade brasileira. É só isso que eu estou fazendo. Não venham comprar [as estatais em questão e campos de petróleo], porque se eu for presidente, vai voltar tudo para a posse e propriedade do povo brasileiro com as devidas e corretas indenizações”.

Como acionista controlador da Petrobrás, o poder executivo nacional, na representação sobretudo do presidente da República e de seus indicados para cargos da estatal, tem palavra forte nos contratos assinados pela empresa que, como afirma Ciro Gomes, podem ser desfeitos sob as cláusulas e indenizações que estão previstas em cada negociação.

 

Lista de comentários

  • Fabiano Trotta 24 / 05 / 2018 Reply

    Perfeita análise de Ciro Gomes!

  • marco antonio latorre 25 / 05 / 2018 Reply

    Acho bastante importante um candidato assumir posições, e deixar claro para o eleitor e a sociedade o seu pensamento e suas metas. Fico triste que não tenha sido ainda possível uma aliança entre o PDT e o PT. Acho a idéia de nova aliança entre PT e PMDB um disparate, pois os projetos de país de ambos me parece antagônicos. Diante da impossibilidade da candidatura do nosso grande Lula, fico feliz com a disposição e com os ideais nacionalistas do Ciro, bem como sua identificação com os mesmos ideiais cultivados pelo PT do Lula e da Dilma: respeito pelo Programa Bolsa Família, por exemplo, valorização da industria nacional, respeito aos direitos trabalhistas, combate a fome, mortalidade infantil, etc. Torço para que o Ciro cresça nas pesquisas e dispute o segundo turno, e para que se torne nosso próximo presidente. Precisamos de um país com menos desigualdade social, mais justo e solidário. Acho que falei demais… mas acho que poderia falar mais ainda, pois nossos sonhos para o Brasil, e para o futuro do nosso povo vão looonnnge ! Boa sorte Ciro !

  • Emir Reis de Araujo 27 / 05 / 2018 Reply

    Comentários bem colocados e pertinentes… Só esqueceu de reafirmar o que sempre disse, que o que está acontecendo com a gestão da Petrobras é um exemplo clássico e real da falência do modelo neoliberal, que vai ficar registrado que a população Brasileira a rejeitou, não apenas a esquerda, mas principalmente os valorosos caminhoneiros com pensamento de direita, por mais impensável que fosse.

  • Emir Reis de Araujo 28 / 05 / 2018 Reply

    Comentários bem colocados e pertinentes de um candidato a Presidente, valeu Ciro!… Fica claro o que sempre disse sobre a falência do modelo neoliberal, pois o que está acontecendo com a gestão da Petrobras e sua política de preços é um exemplo real disso, e que vai ficar registrado que a população Brasileira a rejeitou, não apenas a esquerda, mas principalmente os valorosos caminhoneiros com pensamento de direita, por mais impensável que fosse. CIRÃO pode vir a ser aquele que acabará com esta divisão entre coxinhas e mortadelas.

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