Ciro Gomes escreve carta à Boeing e à Embraer solicitando suspensão da fusão

No dia 13 de julho de 2018, Ciro Gomes escreveu duas cartas às empresas Embraer e Boeing sugerindo o cancelamento das operações de fusão entre as empresas e denunciando o procedimento como uma “manobra clandestina” a poucos dias de uma eleição. O conteúdo da carta destinada à Embraer é o mesmo da carta destinada à Boeing.

Esta atitude está em harmonia com a promessa de Ciro de não permitir que se entreguem sem legitimidade setores importantes do Estado brasileiro.

Ciro argumenta que a empresa é de forte conteúdo nacional e de grande importância para o país, o que joga suspeições sobre a natureza da fusão entre as empresas, que ganha caráter de uma negociação hostil aos interesses nacionais.

Publicamente, Ciro publicou em suas redes a íntegra das cartas. Confira o conteúdo de ambas a seguir. Dado que o conteúdo da segunda carta é virtualmente o mesmo da primeira, reproduz-se-la em inglês, sem necessidade de tradução:

Carta ao presidente da Embraer

São Paulo, 13 de julho de 2018

Ilmo, Sr.
Paulo Cesar de Souza e Silva
Presidente da Embraer S.A.

Prezado senhor,
Como pré-candidato à Presidência da República Federativa do Brasil pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT) nas eleições do próximo dia 07 de outubro, sinto-me no dever de alertá-lo para a grave inconveniência do atual momento, a apenas 100 dias do pleito que irá escolher um novo Presidente, para a efitivação da anunciada compra da Embraer S.A. pela Boeing Inc.

Esta aquisição é hostil à segurança nacional brasileira em vários aspectos, uma vez que a divisão de Defesa e Segurança da Embraer, que hoje desenvolve projetos cruciais para o país, como o cargueiro militar KC-390, por exemplo, também dará suporte e fará a gestão, em conjunto com a Força Aérea Brasileira (FAB), do Acordo de Transferência Tecnológica dos caças suecos Gripen NG, o que vai permitir ao nosso país dominar a fabricação, a tecnologia de armamento e a engenharia de propulsão, abrindo assim uma nova era para a participação do Brasil no setor aeroespacial.

Ainda que a notícia da compra da Embraer pela Boeing diga que o Setor de Defesa e Segurança da Embraer não entrará no negócio, é sabido que a mutilação da empresa brasileira e a venda do seu setor de Aviação Comercial acabará com a sinergia e as vantagens comparativas necessárias para a impulsão do que restará da Embraer a novos patamares, como é a aspiração legítima e soberana do Brasil.

Assim sendo, venho, com o devido respeito, ponderar a Vs. Sa. que suspenda as negociações até a realização das eleições, de modo que o futuro Presidente, seja ele quem for, escolhido pela maioria dos brasileiros, tenha condições de inteirar-se dos detalhes desta operação e possa estabelecer um canal d diálogo, sendo o governo brasileiro detentor de uma Golden Share da Embraer, com a Boeing Inc.

E para dar a desejável transparência a este ato, de modo que fique conhecido do povo brasileiro o fato de que adverti o senhor, com respeito e ponderação, para a inconveniência de realizar uma transação desse porte na iminência de uma eleição presidencial, informo que divulgarei esta carta à sociedade brasileira.

Certo de que Vs. Sa. saberá reconhecer a pertinência e razoabilidade de minha argumentação, subscrevo-me, cordialmente,

Ciro Gomes
Pré-candidato do PDT
à Presidência da República Federativa do Brasil

PS: Carta com igual teor foi enviada ao presidente da Boeing INC, Mr. Dennis Mullenburg.

 

Carta ao presidente da Boeing

São Paulo, July 13th, 2018

Mr. Dennis Mullenburg
President of Boeing INC

Dear Mr. Mullenburg,

As a pre-candidate running with the Democratic Worker’s Party (PDT) for the role of president of the Federative Republic of Brazil on October 7th, I feel it is my duty to warn you of the serious inconvenience of the current moment, only 100 days from the election that will choose a new president, for the announced purchase of Embraer S.A. by Boeing Inc.

This acquisition is hostile to Brazil’s national security in various aspects, since the Defense and Security division of Embraer, that currently develops projects that are crucial for the country, for example, the military freighter KC-390, will also give support and manage, in conjuction with the Brazilian Air Force (FAB), the Technological Transfer Agreement of the jet Gripen NG, that will allow our country to control the manufacturing, the weaponry technology and the propulsion engineering, thus opening a new era in Brazil’s participation in aerospace industry. Even if the news of the acquisition of Embraer by Boeing says that the Defense and Security division will not be part of the deal, it’s known that slicing the Brazilian company and selling its Commercial Aviation sector will end the synergy and comparative advantages necessary to boost what is left of Embraer to new levels, as is Brazil’s lawful and sovereign aspiration.

Therefore, I would like to ponder, with all due respect, that you cease the negotiations until the end of the election period, so that the future President, whoever it may be, chosen by the marority of Brazilains, has the conditions to inform him or herself of all the details of this operation and establish a communication channel, being the Brazilian government holder of a Golden Share of Embraer, with Boeing Inc.

To give the desired transparency to this act, so that the Brazilian population is aware that I warned you, with respect and ponderation, of the inconvenience of realizing a transaction of this status in the imminence of a presidential eleciton, I inform that I will disclose this letter to the Brazilian public.

I am confident that you will recognize the pertinence and reasonableness of my arguments.

Most respectfully,
Ciro Gomes
PDT’s pre-candidate
for the presidency of the Federative Republic of Brazil

P.S. I would like to inform you that I am sending the same letter to Mr. Paulo Cesar de Souza e Silva, President of Embraer S.A.

 

One Comments

  • Chester Silva Rodrigues 18 / 07 / 2018 Reply

    Opa. Continuo na minha peregrinação sobre os possíveis candidatos a presidente da república. O Brasil privatizou a maioria de suas empresas, e a pergunta que faço é a seguinte: As vendas dessas empresas colocou o país economicamente no caminho certo? – Falei. Fui.

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