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Os tentáculos da mentira e do ódio: do bolsonarismo ao Instituto Mises

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Em 26 de março de 2020, Hélio Beltrão publicou artigo na folha de São Paulo intitulado “Liberem a Hidroxicloroquina”. No texto, o presidente do Instituto Mises afirma que os estudos da Imperial College eram deficientes e irrealistas. Ele finaliza o texto dizendo que a Anvisa e o Ministério da Saúde seriam irresponsáveis se não liberassem a hidroxicloroquina para todos os casos sintomáticos. E afirmava, se fingindo de cientista, que quando isso acontecesse a curva seria achatada e precipitaríamos o término da pandemia.

Da mesma maneira que Hélio Beltrão se fingia de cientista, hoje ele apareceu na Folha de São Paulo de fingindo de economista, bradando sua indigência intelectual e demonstrando seu preconceito em alto e bom tom.

Helio Beltrão e Instituto Mises

Na manhã de hoje (17/11/2021), a Folha de S. Paulo publicou coluna de Hélio Beltrão, presidente de um certo Instituto Mises e aliado de longa data de Paulo Guedes e Bolsonaro. De Paulo Guedes, pelas pautas ultraliberais de destruição do estado que o instituto defende, e de Bolsonaro, pelos subterfúgios e estratégias que utiliza para defendê-las.

O Instituto Mises se construiu quase completamente a partir de narrativas enganosas e informações descoladas da realidade. Foi a forma que seus integrantes encontraram para defender o indefensável. Com isso, foram precursores na construção de redes de desinformação, e inspiraram a própria rede bolsonarista. A única diferença é que ela não se afirma como tal. Mas é, no fundo, o berço ideológico de pessoas como Rodrigo Constantino, Paulo Guedes, Sérgio Moro e outras figuras que travestem seus discursos anti-populares, anti-brasileiros e anti-políticos como sendo supostamente “defensor do livre mercado e da liberdade”

Essa comunicação preconceituosa e mentirosa utilizada pela turma do Instituto Mises é responsável pelo momento de ódio e mentira que nos trouxe à polarização em que estamos. Basta bater o olho no texto do Hélio Beltrão defendendo Bolsonaro e Paulo Guedes para entendermos como ele busca construir um sentimento de ódio nos seus leitores; de qualquer um que proponha algo diferente do ultraliberalismo que ele é pago para defender. Sempre a partir de mentiras e narrativas.

O texto mentiroso na Folha de São Paulo

Quem propõe alternativas, ele chama de “turma de soluções mágicas”; opções de políticas públicas complexas, ele chama de “marreta na mão”; Ciro Gomes, ele chama preconceituosamente de “coronel”; a proposta de Ciro para fugir da dolarização dos combustíveis, ele chama mentirosamente de “tabela Ciro”. Depois de atacar e difamar, finge ter uma solução que nem ele mesmo acredita: deixar tudo como está.

A justificativa pela manutenção da política de dolarização do preço de combustível, de acordo com o presidente do Instituto, é a lei de oferta e demanda. Ele diz que o Brasil tem que manter o preço dos combustíveis dolarizado, porque não tem capacidade de refino e precisa importar 20% dos combustíveis. Ora, até daria pra tentar digerir esse argumento parasita se importássemos 100% dos combustíveis. Mas, como o Brasil importa apenas 20%, isso é mais uma mentira.

Hélio Beltrão sabe disso. O argumento econômico dele é fraco, não tem base nenhuma na realidade e tem como propósito único e exclusivo defender Paulo Guedes, que foi um dos sócios fundadores do tal Instituto. Ele bem que poderia usar ao menos uma frase do seu texto para defender que o Brasil amplie sua capacidade de refino e reduza a ociosidade das refinarias. Mas Hélio Beltrão e sua turma não querem o Brasil soberano. Querem o Brasil colonial e submisso. Por isso, o texto dele tem outro propósito: atacar, ofender e enganar. A mesma lógica dos portais bolsonaristas. Não à toa, eles trabalham juntos.

O Instituto Mises e o Bolsonarismo

A relação entre o Instituto Mises e o Bolsonarismo não começou com a defesa da hidroxicloroquina e com a defesa do ultraliberalismo do Paulo Guedes. O Instituto Mises ajudou a parir o Bolsonarismo dentro do mundo digital.

O Instituto Mises, foi um dos domínios que mais fez backlinks aos portais bolsonaristas radicais. De acordo com um levantamento publicado no site Outras Palavras, o Instituto fez mais de 8 mil links para portais bolsonaristas. A rede incluía o Terça Livre, o Renova Mídia, o Conservadorismo do Brasil, o Jornal da Cidade Online e até mesmo o site Breitbart News, fundado por Steve Bannon, recentemente preso nos Estados Unidos. Enquanto os sites ditos “bolsonaristas” ou “conservadores” misturam suas notícias com mentiras, narrativas e plantam o ódio, o tal Instituto e seus tentáculos fazem a mesma coisa, mas disfarçada de análise econômica.

Nada disso é novidade, mas o que mais chama atenção é que a imprensa que tanto critica o modus operandi bolsonarista dá espaço pra esse tipo de “coluna de opinião”. Se fosse na hora do debate presidencial, a gente poderia dizer que a democracia tem os seus custos. Mas, a essa altura do campeonato, é inadmissível que um jornal como a Folha de S. Paulo permita esse tipo de difamação e mentira. São esses tentáculos que moldaram Jair Bolsonaro. Enquanto a irracionalidade, a mentira, o ódio, o preconceito e a difamação se disfarçam de opinião e análise, o nosso País segue sem rumo.

Não temos muito o que fazer além de expor essa barbaridade e defender o Projeto Nacional desses ataques preconceituosos e mentirosos. Mas podemos por exemplo, enviar um email para [email protected] manifestando nossa indignação em relação ao assunto.