Afinal, o que significa a expressão “tatu não sobe em toco”?

Dono de um modo de falar bastante marcado por regionalismos e expressões populares, Ciro Gomes faz uso de algumas sentenças que passaram a ser instantaneamente associadas a ele. A militância das redes sociais se diverte com várias dessas expressões, como “botijão de gás etário”, “gatão de meia idade”, “dá bilhão?”, “calma, Dona Maria” e a entoação na pronúncia de interééésses. O amplo repertório deu origem a um vocabulário cirista de fácil identificação para os ávidos participantes e espectadores de palestras de Ciro Gomes via YouTube.

Entre suas frases mais famosas está uma que diz que “se você vir um tatu em cima do toco, é porque alguém botou”, concluída com “porque tatu não sobe em toco”. Depois de uma rápida reflexão, seguida de uma risada, é fácil entender por que tatu não sobe em toco, afinal o pequeno mamífero de carapaça muito comum no interior do Brasil tem perninhas curtas e não é um saltador, portanto, não seria capaz de subir sozinho num toco.

Mas, o pulo do gato para entender esta metáfora está na acepção política que Ciro faz dela: que é necessário compreender os problemas do país e suas relações de poder dentro de um jogo que não se dá ao acaso ou por simples incompetência política, elas atendem a interesses (nem sempre claros ou legítimos), mas que causam graves consequências. É preciso saber identificar esses tatus e os interesses que os colocaram naquela posição para que seja possível tirá-los de onde estão.

A confusão entre o que é natural ou fatalidade e o que é resultado de escolhas políticas só serve para a manutenção de interesses minoritários e poderosos que são escondidos do debate público. Em muitos casos, como por exemplo, quando Ciro expõe que metade do orçamento público anual (ou seja, de toda a riqueza produzida pelo país) vai para o pagamento de juros e amortização da dívida, não é possível contar com setores da imprensa para levar essa discussão à população.

A presença de uma liderança política que desafia e se propõe a explicar as causas e consequências de escolhas políticas, utilizando um vocabulário simples sem ser simplista, através da grande difusão propiciada pela internet, nos permite pautar o debate com as questões que interessam ao país e apostar em outros rumos para o Brasil. Dando nome aos tatus e, principalmente, compreendendo a quem serve estarem onde estão.

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