Ciro Gomes “recebeu propina pela Transposição do rio São Francisco”?

Entenda o contexto que originou a notícia falsa:

Escolhido por Lula para comandar o Ministério da Integração Nacional, Ciro Gomes tinha como objetivo gerenciar as tarefas de infraestrutura, principalmente na área de recursos hídricos, com especial atenção ao projeto de transposição do São Francisco (prioridade do Ex-Presidente Lula), através de seus dois eixos (leste e norte). Ciro defendia que as regiões beneficiadas não possuem rios perenes, e isso justificava transportar água para esses locais. Debateu abertamente com diversos críticos do projeto, e um dos momentos onde esse debate fica mais evidente, é em entrevista no Programa Roda Viva, da TV Cultura, em fevereiro de 2005.

A notícia falsa diz que Ciro esteve à frente do projeto durante os primeiros três anos (2003-2006), quando o projeto básico e o licenciamento ambiental foram objeto de discussão nacional e iniciaram-se as primeiras licitações e, por conta disso, os enfrentamentos foram mais fortes naquele momento. A notícia diz que a propina se referia a uma facilitação para a OAS ganhar licitações de obras do projeto. Vamos ver, então, os ganhos da OAS:

Atenção aos dados e às datas

Ora, se isso é verdade, então significa que a empresa necessariamente teria recebido no período recursos do Ministério que fossem substancialmente maiores que a propina supostamente gasta (cinco milhões). Isso é facilmente verificável através de consulta ao portal da transparência dos gastos do governo federal que permite identificar as despesas por empresa dentro dos diferentes projetos. A consulta aos favorecidos pelo programa de integração do Rio São Francisco (eixos Leste e Norte), a partir de 2004, permitiu identificar que os pagamentos à Construtora OAS Ltda (CNPJ: 14.310.577/0001-04) iniciaram-se apenas em 2009 com um montante de R$ 10.756.999,42, ou seja, três anos após a saída de Ciro do ministério. Não há, então, uma explicação de Pinheiro sobre como Ciro poderia ter facilitado a entrada da OAS no projeto São Francisco em 2009, estando fora do Ministério da Integração Nacional desde 2006. Assim, um simples histórico do orçamento do projeto já demonstra facilmente a fragilidade da denúncia.

Desconfie de fontes de informação como essas

A delação de Léo Pinheiro foi marcada por idas e vindas da prisão e por depoimentos colhidos de acordo com as pressões da operação lava-jato. Preso em novembro de 2014, foi colocado em prisão domiciliar em abril de 2015, quando começou a negociar sua delação que se acelerou em 2016 após ter sido condenado a 16 anos de prisão. Até então, sua delação isentava Lula e seu ministério de culpa. No entanto, em agosto de 2016 a PGR suspendeu a delação por vazamentos envolvendo o nome de ministro do STF (Toffoli). Duas semanas depois, Léo Pinheiro foi preso novamente e em novembro sua pena é aumentada em mais dez anos. A partir de 2017, Léo Pinheiro mudou completamente sua postura e foi acrescentando em suas delações nomes do Governo Lula, entre os quais aparece essa acusação desprovida de provas contra Ciro. Fica claro, então, que uma delação obtida dessa forma deve que ser encarada com a devida cautela. Afinal, para a República de Curitiba pode faltar provas, o que nunca falta é a convicção.

Veja as fontes:

camara.leg.br

rodaviva.fapesp.br

noticias.terra.com.br

portaltransparencia.gov.br

folha.uol.com.br

www.brasil.gov.br

jornaldaparaiba.com.br

jornalggn.com.br

 

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