Ciro Gomes ignorou uma epidemia de cólera quando era governador?

Está sendo divulgado entre os círculos bolsonaristas um trecho de uma entrevista de Ciro Gomes, na qual o ex-governador afirma ter evitado utilizar na imprensa em 1994, quando a cidade de Fortaleza teve um surto de cólera, o termo “epidemia”. Ciro justifica esta escolha de palavras pelo temor de que suscitasse uma drástica queda no turismo, uma das principais fontes de receita do estado.

Com isso, os bolsonaristas tentam justificar e equiparar a postura do presidente Jair Bolsonaro frente a pandemia mundial do novo corona vírus em 2020. A comparação é descabida não apenas pela notória diferença entre um surto local de uma doença ocasionada por condições sanitárias específicas, mas principalmente pelo enfrentamento que Ciro deu à questão no período.

Como registrou a Folha de S. Paulo, Ciro não apenas declarou estado de emergência, mas deu seguimento a um plano coordenado de combate ao cólera, com o treinamento de milhares agentes sanitários para atuar junto à população orientando e distribuindo hipoclorido de sódio. Além disso, a Secretaria de Saúde estipulou um prazo para o controle da doença e a testagem laboratorial dos afetados pelo surto.

Enfrentamento, treinamento, prazo e testes. Muito diferente, portanto, da postura atual do presidente de negar a gravidade da pandemia de um vírus respeitatório potencialmente letal e para o qual não existe nem tratamento nem vacina, ao qual chama de “gripezinha” ou “resfriadinho” e o desdém pela saúde e vida dos idosos.

Confira a matéria da Folha em 22 de fevereiro de 1994:

Ciro Gomes epidemia de cólera Folha

“Cólera provoca intervenção em Fortaleza”, Folha de S. Paulo, 22/02/1994

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